PLATAFORMAS SUBORBITAIS, Sem categoria

EMPREGO DA TECNOLOGIA LIDAR

      Nos dias de hoje, quando falamos em sensores suborbitais, via de regra, não podemos deixar de abordar as Aeronaves Remotamente Pilotadas (ARP) ou Drones Aéreos.

     Cabe ressaltar que, historicamente, o desenvolvimento dos ”Drones” ou ARP, teve como um de seus principais impulsionadores a busca pela redução da quantidade de perdas humanas em combate, ou seja, para que isso fosse atingido, não foi necessária apenas a criação de aeronaves pilotadas de forma remota, mas sim, o desenvolvimento de técnicas de sensoriamento remoto e geoprocessamento que substituíssem a observação humana direta e indireta, a qual, atualmente, não só substituíram, como as tornaram muito mais eficientes.

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     Sendo assim, técnicas como: controle aéreo de colunas motorizadas ou de patrulha terrestre (pode ser realizado de forma bem mais apurada com o uso de softwares especializados de processamento digital de imagens); inspeção de camuflagem (pode ser realizado de forma automática utilizando técnicas de classificação e bibliotecas espectrais); fotografia aérea (a aquisição é feita pela ARP, podendo gerar pares estereoscópicos e Modelos Digitais de Superfície em 3D); reconhecimento de áreas para o desdobramento de órgãos e instalações (pode ser realizado rotineiramente através de sensores satelitais e, via de regra, não há necessidade do emprego de ARP); levantamento geográfico de área (pode ser realizado rotineiramente através de sensores satelitais e, via de regra, não há necessidade do emprego de ARP).

     Todas as técnicas citadas acima, podem ser executadas em melhores condições, pelo sensoriamento remoto e geoprocessamento, bem como através do emprego de outros tipos de geotecnologias, assuntos para os quais a formação do militar especialista em Intlg Img é direcionada e tem uma pesada carga. Um dos vários exemplos do emprego das Geotecnologias para o reconhecimento de alvos, muito bem empregadas, pela Arqueologia, é a descoberta recente descrita abaixo:

      ” Sudeste da Ásia. Lugar úmido, coberto por densas florestas tropicais e cheio de histórias antigas e instigantes. Ali, entre as árvores, se destaca um templo antigo; tão antigo que toda a sua superfície está coberta por uma grossa camada de vegetação – o templo de Angkor. Até agora, achava-se que a construção era a última ruína da maior civilização do século XII, o império Khmer. Mas os arqueólogos estavam enganados: Angkor, na verdade, é apenas parte de uma cidade imensa que a floresta engoliu e escondeu do mundo por séculos. E o resto desse império acaba de ser encontrado.

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      Quem descobriu  foi um grupo de arqueólogos liderados por Damian Evans, da Universidade de Sydney, na Austrália. Eles sobrevoaram o Camboja num helicóptero e usaram um scanner a laser para mapear, lá de cima, toda a superfície da região – mais de 1.900 km². A tecnologia (LiDAR – light detections and ranging, ou detecção e busca por luz), usada por militares para encontrar submarinos, revelou uma cidade imensa, bem no coração do império Khmer, de 678,5 km². Além da cidade, os arqueólogos descobriram também um complexo sistema de captação, reserva e transporte de água, que permitia aos habitantes sobreviver aos períodos sem chuva na região. Esse tipo de sistema só seria utilizado séculos depois por outras civilizações, segundo os autores do estudo.

      A tecnologia do Lidar foi utilizada pela primeira vez em 2009, no estudo da cidade maia de Caracol, em Belize. Recentemente, ele tem sido utilizado para escanear sítios arqueológicos da Europa. O novo mapeamento dá continuidade às pesquisas que, em 2013, descobriram a cidade escondida de Mahendraparvata, construída 350 anos antes do famoso templo Angkor Wat (obtido pelo rei Suryavarman II no auge do poder do Império Khmer). 

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        A descoberta respondeu algumas das perguntas dos cientistas. O império entrou em colapso por causa de mudanças climáticas na região, quando o sistema de captação de água parou de funcionar e as plantações definharam. Então, os habitantes foram deixando a cidade aos poucos, e, no século XVI, o império caiu e não conseguiu se reerguer. Até agora, acreditava-se que a cidade tivesse sido destruída por um ataque do povo hai – e por isso teria desaparecido”.

        Por séculos, uma cidade inteira passou despercebida pelos olhos humanos, camuflada, inclusive de estudiosos, que sobrevoaram a área utilizando inicialmente a observação direta e indireta em busca de vestígios desta antiga cultura, mas somente com o emprego de modernas tecnologias de imageamento e de técnicas de processamento digital de imagens, foi possível mudar este quadro.

       Por fim, acredito ser fácil chegar a conclusão do que tecnologias como esta podem fazer em prol das operações, principalmente no tocante a reconhecimento de alvos, praticamente eliminando a possibilidade do emprego de técnicas de simulação e dissimulação, e trazendo uma consciência situacional muito maior aos Comandantes.

Referência:

  1. https://br.noticias.yahoo.com/cidade-medieval-secreta-%C3%A9-descoberta-na-%C3%A1sia-124748547.html
  2. http://originalmiles.com.br/templos-de-angkor/
  3. http://veja.abril.com.br/ciencia/cidades-escondidas-de-ate-1-400-anos-sao-descobertas-no-camboja/

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